Como que arrependida da fatia de chocolate,

…pediu também um chá verde. E foi bebendo, bem devagar, enquanto a ouvia. O chá bebe-se assim, num compasso lento, saboreando o que o acompanha como se com esse ritmo fosse possível atrasar o tempo. Prestou-lhe atenção. Ouviu-a dizer, tão senhora de si, que mulheres independentes não conquistam, não são escolhidas mas que não existe ninguém que não as queira. Disse-o com segurança na voz como se a vida a tivesse obrigado a ser frágil de vez em quando. Ouviu-a dizer que há uma certa independência que afasta as pessoas, deixando em segredo se seriam as que valem ou não a pena. Neste compasso passaram-se horas e o chá arrefeceu, assim como o coração dela… por saber que não havia um dia que não mostrasse que não precisava de ninguém.

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