Defendem a liberdade com unhas e dentes.

Dizem-se livres como se de um estatuto se tratasse. E selvagens como se sê-lo fosse agora tendência. Depois limitam-se à rebeldia, à curiosidade inata, ao espírito indomável. Achas mesmo que deves ficar por aí? Vais querer ficar aquém do tanto que podes ser? Ser selvagem é quereres alcançar sempre quem está na frente do pelotão e fugir tantas vezes de quem tão bem te quer agarrar. É desejares sempre o que está fora do teu alcance enquanto olham para que tens contigo como se fosse suficiente. É não quereres dormir para conquistar o máximo que o mundo tem para te dar. Ser selvagem não é lutar pelo lugar de líder da savana, é ser fiel aos teus ideais e deixar que isso te leve ao lugar que te pertence. É lidar com a agonia da constante insatisfação, conseguir o estágio na vida em que se está nas tintas para o que os outros pensam e aceitar o facto de que passarás por louco de quando em vez. Ou várias vezes. Que se lixe! É sonhares como se mais cem anos tivesses pela frente, festejares cada vitória sem tirares os pés do chão e voares quando for preciso motivares-te. Porque às vezes também se cai, também se aleija, também se deixa de acreditar. Mas ser selvagem é caminhar depois disso, é não perder a fé, é ser triste apenas nas horas vagas, é compreender que para uma pessoa especial é preciso uma especial e meia. Ou talvez não compreendas, nem acredites, mas vais aceitar quando isso te disserem. Que mais do que seres especial, és selvagem. E que há quem te ame por isso.

– Mas não é suposto serem só qualidades?

– Claro que não. Mas na maioria do tempo és bem mais feliz.

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