«Eu só queria ser perfeita» – gritaste.

Viraste as costas e caminhaste. Deixaste o nosso beijo para depois. Foste na pressa de chegar a um lugar que nunca me soubeste explicar. Sabias apenas que seria tudo aquilo que sonhaste. Restava-me ver-te. Restava-me tentar dizer-te algo de maior…

– Falha, meu amor!

Já não me ouviste. Ias nesse foco no infinito, de passo milimetricamente coordenado, deixando passar tanto por onde passavas. Terias a noção disso? Viste aquele abraço de um reencontro entre amigos? E as lágrimas de um amor que temia vacilar? Passaste-lhes tão perto. Poderias ter-lhes ouvido cada sussurro. Mas ali vais tu. Focada. Viste a saudade que te morava tão vizinha? E as flores que se vendiam nas portas? Ter-lhe-ás sentido o cheiro? Há aromas que não devias deixar, tão pouco, que te saíssem da pele. E os braços que se abriram para ti, para quantos deles te deixaste levar?

– Falha, meu amor!

Como eu gostava que percebesses a minha razão. Que entendesses que nessa ânsia pela perfeição perdes a beleza do que é imperfeito. E que é na viagem que se ama, que se vive, que se sonha por muito mais. Não no destino, esse traz-nos um fim. Se falhasses, meu amor, perceberias o que de maior está à tua volta. Voltarias a aprender a respirar, saberias que sempre podes sobreviver e que não há força maior do que essa sabedoria. Talvez aprendesses a saborear o agridoce do descanso e o que nele tanto se pode observar. Viver o imperfeito seria um pouco disto e tanto do que ainda não te disse. Se falhasses.

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