«Vocês são um casal perfeito.»

Somos sim.

«Ele tem sentido de humor, é fácil gostar dele. E de ti também, és inteligente. Mas é impossível não te achar uma miúda de sorte. Ele leva-te pela mão entre amigos e não se inibe em trocar o teu nome por Amor. Sincronizam-se na dança e no olhar. Devias ver-vos pelo lado de fora. São bons amigos, fico feliz em vos ter por perto. Já o ouvi chamar-te de “minha mulher”, lembro-me que te riste logo a seguir. Muito além do abrir de porta para passares ou do motorista que ele insiste ser, sinto que ele te quer sabes? És uma mulher, a dele, cheia de sorte.»

***

Somos perfeitos na imperfeição que escondemos. Depois do Amor que ele me chama lá fora, cá dentro arrisco em dizer que já nem sabe o meu nome. Tem bom querer, mas não por mim. Procura-me poucas vezes, falamos mais do mundo do que de nós. Acho que deixamos o nosso mundo para voltar a pertencer a esse. A massagem no pé que me doía fui eu que a fiz, e as minhas lágrimas afogadas no silêncio passaram-lhe ao lado, contrário àquele para o qual se virou… precisava de dormir. Acredita que é ele quem mais trabalha, a minha ausência das nove às dezanove deve soar-lhe a passatempo a troco de uns trocos. Tornei-me a mulher de casa, não a mulher dele. Mas tem bom coração! Só duvido que ainda se encha todo de mim. Faz-me rir, mas já são poucas as vezes, já o conheço demasiado de cor e ele insiste em ser igual todos os dias.

Mas não me queixo. Afinal de contas, somos o casal perfeito. Sou uma mulher cheia de sorte.

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