Diário de Bordo III

Os jardins são tão sensoriais que deveria ser obrigatório parar em todos eles – qual terapia. Têm cheiros, sons, temperatura e cores que alegram ou te levam à nostalgia numa fração de segundos. São sensações sem mão humana pois têm tudo isto sem ser necessário estarem ocupados por pessoas. Hoje, ao cruzar-me com um jardim vazio, parei para fazer a minha própria leitura do quão belo era. Sentei-me num banco de madeira e reconheci-me nas flores que via mesmo à minha frente. Totalmente condicionadas pelo ambiente onde lhe disseram que iriam crescer, mas selvagens em todo o seu crescimento. A minha alma sentiu-se compreendida, deve-se a elas aquela sensação de paz. Na verdade, sem imaginares atiraste-me para esta viagem convencendo-me de que o carpe diem seria a única regra a seguir. Se haveriam outras eram, com toda a certeza, para quebrar. Mas, de repente, eis-me aqui a crescer da maneira que posso e sei. Rio-me na maioria das horas e isso alegra-me. Lembra-me a resiliência das emoções e juro mais uma vez parar de as subestimar. Consegui ser feliz em todos os jardins que parei e isso deve-se unicamente a mim. Por ter vindo… acima de tudo por ter vindo, pois talvez tenha sido sempre esse o plano que a vida tinha para mim.

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