Diário de Bordo IV

O relógio marca a hora do regresso. Cedo, como sempre gosto que seja. Há uma adaptação mental e, sobretudo, emocional que precisa de tempo. Lembro-me de quando dizias que os regressos te deixavam melancólico pela incerteza do que encontrarias ao chegar. Tínhamos as nossas diferenças e essa era uma delas. A coragem de me fazer partir está na certeza, sempre ingénua, de que posso sempre voltar independentemente do que me espera, se é que me espera.

[Estarás à espera de mim?]

Volto porque só assim faz sentido ter vindo. Aproximo-me de ti na mesma proporção em que nos afastamos, já que a nossa unidade de medida sempre foi o calor e não os quilómetros. Faz frio, faz tanto frio e o Verão ainda não passou. Agasalho-me da forma que sei, levando comigo o que de melhor aqui encontrei. Vou feliz e mentalizada. Vou para a vida, aquela a quem pedi uma pausa e fugi. Tu não sabes, mas ela disse-me que eu podia, que merecia, que contigo ou sem ti era por ali o caminho. E fui, como sempre irei mesmo que não queiram ir comigo. Mesmo que eu nem sempre seja suficiente para convencer o outro que partilhar uma parte da mesma jornada não tem que ser uma promessa, um pedido, um para sempre… às vezes é só mesmo uma pausa na vida, até estarmos prontos para voltar.

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