Outono

Tinhas o Outono nos olhos, pestanejavas como se te quisesses renovar nesse compasso. Dizem que é a estação da alma e não da natureza, e eu vi em ti a beleza como só os mais atentos vêm no cair das folhas – naquelas que se renovam. Comandavas o sol e deste-mo quando te pedi, tu fingindo que não era nada de especial, eu fingindo que não era o meu melhor presente. Não sei se já te disseram, mas o sol da tua janela é o mais bonito, é o mais quente, é o mais esperançoso. Loucos vou dizer que o sol é da humanidade, mas eles não sabem que o da tua janela é só nosso. Vem cedo para nos acordar do único jeito que nos traz bom humor, bom amor; e põe-se para me lembrar que antes de mo apresentares eu só conhecia as estrelas. As constelações falavam-me de ti sempre que à lua cheia eu pedia um desejo. O único desejo. Mas eu, ingénua, não decifrava o dialeto delas e vagueava apenas pelas noites… bonitas, mas escuras. Numa delas, levaste-me a passear e de tanto rir perdi o medo do escuro. Riste-te comigo e, entre conversas banais, achaste que eu merecia mais do que um elogio, do que um abraço. Não sei se o primeiro beijo que me deste foi por me achares bonita, pela queda que eu ia dando na escada ou por descobrires que eu tinha Sport TV em casa. Mas na verdade, depois daquela noite, tive vontade de me arranjar todos os dias, de andar de braço dado contigo para manter o equilíbrio e de ver qualquer canal de desporto desde que abraçada a ti. Beijas-me de novo?

Escreva um comentário!